Relâmpagos no Silêncio
São Bernardo do Campo, 18 de março de 2026. As coisas que só demoram a vir na vida sempre ocuparam um lugar especial na minha alma. Não na mente, pois mesmo em suas subjetividades, ela é mais objetiva do que o coração e a alma. A morte é uma delas. Apesar de sempre haver acreditado no pós-vida; nesse fundo que é a alma, quase como um lazer temporário, era-me concedido por mim mesmo esquecer-me disso, e apreciar a sensação de fascínio em deixar de existir. “De que adianta a morte, se formos para outro lugar?”, disse em um de meus poemas. Isso porque para mim a morte sempre foi, mais do que fato inexorável, um presente, uma chance de escapar do pecado de existir. Ora, se há outro plano de existência e somos, eventualmente, puxados de lá para cá; há menos o que se questionar. É o pressuposto anterior a esse que mais levanta a ira impotente: se, antes do tempo e do espaço, nada havia; o pecado original não é a nossa existência. É haver. Toda ideia de evolução, de amor, de beleza e vín...


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